Um banheiros do campus da PUC de São Paulo foi pichado com ameaças e mensagens de ódio contra árabes nesta segunda-feira (17). O caso foi divulgado inicialmente por entidades em defesa do povo palestino e confirmado pela direção da instituiçãofortune tiger modo demonstração, que disse repudiar este tipo de manifestação.
A frase "a PUC não é para árabe" foi escrita próximo a outras em que se lê "a PUC é nossa" e "a reitoria é nossa", acompanhadas de estrelas de David.
As pichações desta segunda foram reveladas em postagens em redes sociais da Federação Árabe Palestina (Fepal) e do coletivo Estudantes em Solidariedade ao Povo Palestino (ESPP) da própria PUC.
Também foi pichada a frase "hora de limpar PRI", que a Fepal interpretou como uma referência aos professores do programa de Relações Internacionais.
A PUC concluiu recentemente um processo de investigação de denúncias de antissemitismo feitas contra alunos e dois professores do curso de Relações Internacionais, Bruno Huberman e Reginaldo Nasser.
As denúncias chegaram à Fundasp, (Fundação São Paulo), mantenedora da universidade, por meio da Federação Israelita de São Paulo (Fisesp). Ao final da sindicância, a PUC afirmou não ter identificado situações que justificassem a aplicação de medidas disciplinares aos investigados.
Ao anunciar o final da sindicância, a Fundação instituiu um Protocolo Antidiscriminatório, que será anexado ao seu Código de Ética e que será de cumprimento obrigatório.
Nasser se dedica há 35 anos a estudos de conflitos internacionais e da geopolítica do Oriente Médio. Huberman é professor do curso de Relações Internacionais, integra o grupo Vozes Judaicas por Libertação e coordena, com Nasser, o Grupo de Estudos de Conflitos Internacionais (Geci).
"Está um ambiente muito complicado na PUC", afirma Nasser. "Esse tipo de manifestação não existia na PUC. Parece haver um sentimento de segurança e empoderamento para que essas pessoas entrem no banheiro e escrevam essas coisa", avalia.
"No meu caso, se sentiram fortalecidos porque houve um inquérito e acham que, com isso, podem calar a minha voz e impedir que eu continue minha pesquisa. E isso acontece no exato momento em que Israel rompe a trégua, quando é claro que eu vou criticar Israel por isso", afirma.
Lucca Bueno, 19, estudante de serviço social e membro do coletivo Estudantes em Solidariedade ao Povo Palestino disse que encontrou as pichações na tarde desta terça (18) que levou o caso à pró-Reitoria de Relações Comunitárias.
Ele também disse que outras pichações semelhantes foram feitas no mês passado na universidade. "A PUC precisa tomar providências e não dar vazão para este tipo de coisa", afirmou o estudante.
Em nota, a direção da universidade disse que apagou as pichações e que o caso será investigado. "A Reitoria da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo repudia com veemência toda e qualquer manifestação discriminatória e racista, como a frase contra os povos árabes escrita anonimamente em um dos banheiros da universidade", diz a nota. "Ofensas atrás de anonimato denotam covardia. Esse ato será apurado internamente com a maior urgência para que medidas cabíveis sejam tomadas."
jogo do tigerAinda na terça-feira (18), o Coletivo de Estudantes Judeus da PUC publicou uma nota em que condena as mensagens ao mesmo tempo em que expressa preocupação com "acusações infundadas que tentam atribuir a culpa a estudantes judeus, reforçando estereótipos e alimentando ainda mais intolerância".
A nota cita artigos do novo Protocolo Antidiscriminatório que tratam de condutas que não serão toleradas pela instituição, como "ações que utilizem ou propaguem estereótipos, insultos raciais, étnicos ou religiosos".
No fim do ano passado, uma reportagem da Folha mostrou que o mal-estar e os traumas provocados pelo ataque terrorista do Hamas e pela ofensiva de Israel na Faixa de Gaza, em outubro de 2023, tomaram parte da comunidade acadêmica da universidade.
A guerra aumentou a tensão do tema no campus. De um lado, certas manifestações de apoio ao povo palestino e críticas aos bombardeios de Israel foram tomadas como antissemitismo, isto é, como discursos de ódio aos judeus.
De outro, estudantes que se declararam sionistas (movimento político que defende o direito à autodeterminação do povo judeu em um Estado) foram apontados como apoiadores dos ataques a Gaza.
Diante do anúncio do novo Protocolo Antidiscriminatório, o professor Huberman criticou o fato de ele adotar parte da definição de antissemitismo da Aliança Internacional para a Memória do Holocausto (IHRA, na sigla em inglês).
A definição, que não tem caráter vinculativo, foi adotada por pelo menos cinco estados brasileiros desde 7 de outubro de 2023, entre eles, o governo de Tarcísio de Freitas (Republicanos) em São Paulo. Segundo o IHRA, "o antissemitismo é uma certa percepção dos judeus, que pode ser expressa como ódio contra eles".
Entre os exemplos do que é considerado antissemitismo pela aliança estão manifestações dirigidas ao Estado de Israel "concebido como uma coletividade judaica" ou como "um empreendimento racista". Críticos dessa definição, dentro e fora da comunidade judaica, argumentam que ela prejudica o debate sobre o conflito entre israelenses e palestinos.
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